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Um lanche nada feliz
por Jordana Nunes - 3º Ano - Ens. Médio  | Itapoã

A indústria do fast food cresce consideravelmente a cada ano, isso porque ela tem a sua disposição uma artimanha proporcionada pela indiferença do governo quanto a alimentação das crianças: a manipulação da ingenuidade infantil e da incapacidade de discernir o certo do errado característica da infância.

Os restaurantes que oferecem esse tipo de comida exploram ao máximo o imaginário infantil, utilizando principalmente desenhos e filmes da moda como tema do lanche destinado às crianças, que sempre vem acompanhado do real motivo da compra e do consumo do produto, um brinquedo.

Desta forma é evidente que esses estabelecimentos vão contra ao Artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor (CDC) que proíbe qualquer publicidade enganosa ou abusiva que se aproveite da deficiência de julgamento e experiência das crianças.

Toda propaganda feita pelas redes de fast food servem para induzir covardemente o consumo de alimentos que provocam seríssimos e, muitas vezes, irreparáveis danos à saúde. A diabetes tipo dois, pressão alta, sobrecarga nos rins, colesterol alto, doenças cardiovasculares, infarto, entupimento das artérias e dermatites são apenas algumas das possíveis consequências do aparente inofensivo consumo desenfreado desses alimentos. Vale ainda ressaltar que, estudos divulgados pela revista científica “Thorax” indicam que o consumo de fast food eleva em até 39% o risco de asma severa em crianças e adolescentes, isso porque o alimento possui altas doses de gordura trans, que afeta diretamente a imunidade.

No entanto a consequência mais palpável e que já é até mesmo comparada com uma epidemia é, sem sombras de dúvida, a obesidade. Para se ter uma idéia, ao analisar a tabela nutricional disponível na internet de um conhecido restaurante fast food constata-se que um lanche infantil tem cerca de 700cal, mas os lanches oferecidos podem chegar a ter incríveis 1553cal, e caso seja também consumida uma sobremesa, pode totalizar 2147cal. Os números assustam ainda mais quando considerados os valores diários de calorias que deveriam ser ingeridas em cada fase da vida, na infância, por exemplo, o ideal é que não ultrapasse 1400cal. Assim, como esta não será a única refeição do dia, haverá um número excedente considerável de calorias e, caso o consumo do produto seja constante, pode acarretar em um sobrepeso e, posteriormente, na obesidade.

Tendo tudo isso em mente, é normal que se questione o porquê da indiferença daqueles que deveriam prezar pelo bem estar das crianças perante a uma situação que tanto prejudica a saúde infantil. Ao ignorar o quão maléfico pode ser para uma criança e para qualquer pessoa consumir o alimento em questão de forma abusiva, não tomar providência alguma para alertar a população destes riscos e, pelo contrário, permitir que manipulem a faixa etária mais ingênua da população para que a mesma queira consumir o produto, o governo se mostra conivente com a situação. Isso faz com que se questione acerca da credibilidade dos nossos governantes: a indústria do fast food movimenta bilhões no mundo inteiro, quanto ela estaria disposta a pagar para que as pessoas certas mantivessem os olhos fechados?

Voltando um pouco no tempo, podemos ver que, assim como acontece hoje com o fast food , o cigarro também era amplamente propagandeado em todos os meios de comunicação. A imagem do cigarro, muitas vezes veiculada nos cinemas, era associada à pessoas bem sucedidas, famosas e bonitas, e quase uma condicional para a felicidade. Novamente se assemelhando às empresas em questão, a indústria tabagista movimentava, e ainda movimenta rios de dinheiro, mas mesmo assim foi proibida de fazer qualquer tipo de propaganda e ainda foram obrigadas a estampar imagens de doenças provocadas pelo uso do cigarro em seus produtos, para então desestimular o consumo do tabaco.

 O governo ainda iniciou uma campanha maciça para a desestimulação do uso e a conscientização dos malefícios trazidos pelo uso do tabaco. Isso porque os gastos com as pessoas doentes ultrapassaram o valor dos impostos arrecadados com a venda do produto. Embora o estrago tenha sido grande, pois muitas pessoas já estavam ou viciadas ou doentes, os resultados desta proibição foram muito benéficos. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) 1 em cada 3 brasileiros( 33% dos fumantes) deixou de fumar após a proibição de campanhas de cigarros nas TVs.

Será que o governo está novamente esperando pelo déficit de ganhos públicos para só então ter uma real preocupação com a alarmante situação em que as crianças foram inseridas? Será que vão esperar que cada vez mais crianças morram para só então iniciar uma contrapropaganda e um real plano de conscientização? Temos mesmo que esperar que chegue a esse ponto?

Assim como foi feito com o cigarro, a propaganda de fast foods deve ser proibida, seus lanches devem vir com avisos e imagens que alertem a respeito dos malefícios que o consumo do produto pode trazer, campanhas publicitárias deve ser criadas pelo governo ou em parceria com ele para alertar, com uma linguagem de fácil compreensão para as crianças, sobre as consequências que o consumo pode acarretar e principalmente para desestimular o mesmo.

É evidente que o governo, ao tomar essas medidas, enfrentará resistência, principalmente porque ele estará coibindo ações de empresas “gigantes” e muito influentes. Mas caso ele opte por zelar pelo bem estar da sua população, ele servirá como exemplo a ser seguido para muitos países que também sofrem com as consequências terríveis que o consumo desenfreado de fast foods traz, e quem sabe, seja o responsável por uma melhora significativa na alimentação e consequentemente na saúde das gerações que ainda estão por vir.



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