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A ESCOLA NÃO É UMA ILHA

02/04/2018

A ESCOLA NÃO É UMA ILHA

O pano de fundo é a realidade. Mais especificamente a realidade brasileira que, muitas vezes, repercute o que acontece além fronteiras. E o que ela nos mostra?

No campo pessoal: ansiedade pela busca da felicidade, tão inalcançável ou fugidia que nos impede de conquistar a realização dos nossos sonhos mais simples, A perplexidade pela negação dos valores de vida que nos foram sempre claros e que nos fazem espectadores ou mesmo vítimas de toda espécie de violência. Valores que parecem de cabeça para baixo, revelando contravalores como o ódio pessoal, a intolerância, desdobrada em suas facetas indesejáveis, o preconceito de todas as espécies, a submissão a situações de negação de tudo o que há pouco nos apresentava lógico, racional.

Na política, a corrupção, mãe de todas as mazelas e ameaça à ordem institucional. Enfatizando o cinismo e o oportunismo de muitos, impedindo o bem estar dos cidadãos e privando-os de seus direitos  essenciais. No campo social, a falta de perspectiva de muitos, sobretudo dos jovens, cujas vidas são ceifadas precocemente. Contrastes persistentes, frutos da desigualdade. Disseminação da mentira, via redes sociais, pondo por terra reputações e projetos políticos que poderiam ser boas alternativas nas eleições para a substituição de velhas práticas, as quais acabam por alçar a cargos importantes das esferas do poder aqueles cujo compromisso é apenas a satisfação pessoal em detrimento do bem comum.

Face a tudo isso, é sempre oportuno refletir sobre o papel da escola. Não é possível negar os fatos e suas evidências, fechá-la à realidade. Tudo o que acontece acaba por refletir-se no seu cotidiano, na educação que ela ministra, nas relações entre pais e educadores.

Mas a escola não tem respostas, muito menos em curto prazo... E invariavelmente acaba sendo surpreendida por situações e cobranças que impõem soluções e ações rápidas, em um tempo que nem sempre lhe é facultado. Via de regra, esta está à mercê da realidade e precisa dar conta de demandas pessoais dos alunos, das famílias e da sociedade sobre as quais não tem responsabilidade.

É preciso, pois, que os educadores estejam atentos aos acontecimentos para que possam promover de forma satisfatória e eficaz as intervenções necessárias. Não devem ser surpreendidos por fatos e problemas que foram postergados ou ignorados em decorrência de uma mentalidade de que a escola lhes está “blindada”.

Seguir obedecendo ao compromisso de educar para a cidadania, de ensinar o respeito ao próximo, de fazer uma leitura isenta e imparcial da realidade, de desenvolver práticas educativas que ajudem os educandos a compreendê-la. E que despertem e desenvolvam neles os princípios e valores essenciais a todo ser humano em uma perspectiva atemporal.

Nada de novo, nada de impraticável. Tudo isso está consolidado na Constituição Federal, nos princípios que regem a educação e no regimento escolar

                                                                                                                                                           Julio Carlos de Freitas Cordeiro