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O TEMPO DA INTOLERÂNCIA

15/03/2018

O TEMPO DA INTOLERÂNCIA

Há tempos sobrevivemos numa sociedade em que a coletividade nos é apresentada como uma democracia, em que a maioria se sobrepõe ao indivíduo. O outro é esquecido. Mas quantos indivíduos carregados de frustração, medo, abandono são sacrificados em detrimento de uma falsa coletividade? E o que eles podem fazer?

As poucas proposições de solução para os problemas coletivos atuais são feitas por pessoas que se mantêm distantes da realidade e, muitas vezes, essas proposições são para o futuro. Que futuro? Qual será o futuro se não dermos conta do presente?

O presente em que vivemos é tenebroso! Com o uso das redes sociais e a cultura da internet se tornando quase um “respirar” em nossas vidas, a informação se mostrou rápida e também descontrolada.

As notícias ruins voam aos nossos olhos. Meias verdades são espalhadas, muitas discussões acaloradas... Notícias de guerras, arrastões, ataques (terroristas ou não) vêm se tornando normais. Nós não estamos aguentamos e estamos ficando doentes com isso.

A intolerância está estampada no mundo! Mas ela não está longe de nós. Às vezes está ao nosso lado.

Recentemente, houve mais um ataque nos EUA, na Flórida. Nikolas Cruz, de 19 anos entrou na escola de onde tinha sido expulso e com um fuzil AR-15 matou 17 pessoas. O jovem foi descrito por um dos colegas como: “Esquisito. [...] Era calado, as pessoas o importunavam de vez em quando e havia boatos sobre ele, como que estava planejando um ataque a tiros em uma escola”.

Nikolas não escondia os sinais. Eles estavam lá. Ele é o “esquecido”. Ele não é como a maioria e não se subjugou ao que a sociedade queria dele. Os motivos que o levaram a fazer tamanha atrocidade, não sabemos. Mas Nikolas é um exemplo vivo da intolerância. Ele é uma das marcas do tempo em que vivemos.

Como Nikolas, existem muitos pelo mundo a fora, buscando serem lembrados. E, por não conseguirem isso com condescendência, procuram pelas vias erradas.  Precisamos mostrar mais humanidade e empatia para de fato, entendermos que cada um tem sua importância.

Por isso, sejamos representantes da Paz. Um olhar, um sorriso ou um gesto de carinho pode significar muito para alguém. O mundo grita por uma onda pacificadora e se não sabe por onde começar, que tal começar por você.

                Referências:

https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2018/02/15/interna_internacional,938007/estados-unidos-buscam-explicacoes-apos-massacre-em-escola-na-florida.shtml