Negro de 1ª linha
quarta-feira, 14 de junho de 2017

Editorial Nº. Ano:

Assim o ministro Barroso, do Supremo Tribunal Federal, se referiu ao ex- ministro desse órgão Joaquim Barbosa, com a intenção de elogiá-lo, destacando sua capacidade intelectual e outras qualidades que o fizeram ocupar um assento na mais alta corte do Poder Judiciário. Contudo não fazia ideia da polêmica que seu elogio iria provocar.

Na verdade, sua boa intenção acabou ofuscada pela conotação que a expressão usada tomou para muitos. Houve tal repercussão nas redes sociais que o ministro Barroso se viu no dever de pedir desculpas publicamente se suas palavras não produziram o efeito que esperava. Fez questão ainda de reiterar seu respeito e apreço pelos irmãos negros e a boa convivência com eles em sua vida (nestes tempos, tem sido difícil expor, conquanto de forma natural e sincera pontos de vista sobre qualquer tema sem provocar reações de intolerância e outras mais graves...)

O episódio suscitou questões delicadas em nosso país: o preconceito racial, o racismo que muitos brasileiros, ou fingem ignorar ou assumem, seja por palavras ou mesmo por atitudes. Foi como mexer em uma ferida não cicatrizada...

Vale ressaltar que o preconceito, seja racial ou de outra espécie, se define como uma opinião formada sem reflexão. E refletir sobre o elemento afro e seu papel na construção de nossa história é uma necessidade que se impõe cada vez mais. Ainda que não possa erradicar o problema, contribuirá para que se tome consciência que há uma dívida social para com os negros em nosso país sim. Resgatá-la passa por ações e iniciativas que lhes garantam ocupar mais espaços em nossa sociedade.

O racismo é um retrocesso, principalmente no Brasil, em que a miscigenação é uma realidade desde os tempos coloniais.

O ilustre ex-ministro mereceu a classificação porque pode estudar. Nasceu no interior de Minas Gerais, oriundo de família humilde. Aproveitou a oportunidade que teve. Entendemos que eram mais escassas que as atuais nos anos da sua infância e juventude. Nesse sentido, não difere de muitos outros brasileiros que, independente de raça ou condição social alcançaram posições relevantes na escala social. No entanto, é preciso valorizar as políticas de inclusão do negro e ampliá-las para que se abra caminho para os milhões de joaquins barbosa que só precisam de mais  oportunidades para  revelarem o seu potencial.

À escola cabe um papel fundamental: tornar mais conhecida a história do negro. Começar lá no continente africano. Entender a sua cultura. Compreender como chegaram a nossa terra e em que condições aqui viveram nos tempos sombrios da escravidão. Comparar essa trajetória com a atualidade para analisar a situação sócio-econômica desses irmãos e irmãs. Mudar preconceitos passa também pelo conhecimento.

É tempo de se reconhecer de maneira natural e indistintamente o mérito de todos os cidadãos desta pátria sem que isso gere estranhamentos e constrangimentos.


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