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A história da mulher em sala de aula
quarta-feira, 5 de junho de 2013

Editorial Nº. 4 Ano: 13

É notório o silêncio dos livros didáticos quando se procura explicar para os alunos as ações e a vida das mulheres no passado. Michelle Perrot, renomada historiadora francesa, na obra “Minha história das mulheres”, de 2008, elenca três razões para essa invisibilidade. Primeiramente as mulheres não são vistas no espaço público, o único que merecia interesse e relato. O espaço de atuação feminino era a família, o privado. Para Perrot, as mulheres “aparecem sem nitidez, na penumbra dos grupos obscuros”.
A segunda razão para os silêncio sobre as mulheres é que elas são pouco vistas e pouco se fala delas. De forma geral, as mulheres deixam poucos registros. Já a terceira razão, diz respeito à dissimetria sexual das fontes, onde se observa um volume desproporcional de fontes sobre os homens. Cabe apontar também que, na maior parte dos casos, os registros oficiais são de autoria masculina e por isso possuem o olhar, os preconceitos e os estereótipos de homens.
O surgimento da demanda pelo estudo da história das mulheres se relaciona diretamente com as pautas do movimento feminista e têm início por volta das décadas de 1960 e 1970. Para Perrot, essa história passou por importantes mudanças no decorrer de sua construção. Da história do corpo e dos papéis desempenhados na vida privada chegando finalmente à história das mulheres no espaço público, da cidade, do trabalho, da política e da escola.
Essa história abandonou a vitimização e destacou o papel de atrizes da trajetória histórica humana. Chegou ao ponto de sair de uma história das mulheres e alcançar uma história de gênero, que possui o caráter relacional preliminar, ou seja, se faz a partir da relação entre os gêneros e não apenas de um dos gêneros.
Para condução dessa história de gênero é preciso entender gênero como uma categoria de análise histórica. Isso significa perceber que as relações entre homens e mulheres são construídas socialmente e que essas relações são, antes de qualquer coisa, relações de poder. Essa nova perspectiva teórica e metodológica foi impactante no interior da disciplina histórica. Colocou em debate as diferenças entre os sexos e as formas como se estabeleciam as relações de poder em escalas diferentes.
Apesar de todas as conquistas do movimento feminista, dos avanços nos estudos sobre as mulheres e nos estudos de gênero como categoria de análise histórica, estamos muito distantes do ideal quando se trata da presença da História das mulheres ou de gênero em sala de aula.
Em primeira estância, os profissionais da educação estão pouco preparados para tratar do assunto. Verifica-se o predomínio do senso comum quando o tema é abordado por professores ou por outros profissionais da educação. A solução é simples e óbvia, busca por capacitação especializada.
Em um segundo ponto se revela um entre muitos calcanhares de Aquiles dos livros didáticos em circulação no Brasil, o vácuo quando se trata da História das mulheres. Algumas editoras se orgulham em expor que seus livros estão preparados para essa demanda, mas uma análise mais crítica desses materiais revela que as mulheres são colocadas nos conteúdos de forma anedótica ou vitimizadas. Essa não é uma questão de fácil resposta. A complexidade desse problema começa no difícil diálogo entre a academia e as editoras dos livros didáticos. Uma sugestão para curto prazo seria a oferta de minicursos ou capacitações no assunto, por parte das editoras e das instituições de ensino aos professores.
Enfim, fica claro que as dificuldades são muitas para tratar da História das mulheres em sala de aula. Com o aumento da demanda pelo assunto, principalmente por parte das alunas, que querem se identificar com os conteúdos, a perspectiva é de melhora. A introdução desse conteúdo de forma plena se faz inevitável como as conquistas sociais das mulheres na sociedade contemporânea.



 
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