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Humor como instrumento de dominação
terça-feira, 8 de outubro de 2013

Editorial Nº. 7 Ano: 2013

Já ouviu aquela piada do negro, do português e da loira? Ou aquela do mendigo que foi atravessar a rua? E aquela personagem do programa de comédia da tv que fica na favela gritando: “Sou pobre, mas sou limpinha!” Cuidado! Você pode estar disseminando uma prática de preconceito sem nem ao menos perceber.
Não é recente o uso do humor para impor uma opinião a fim de legitimar o poder de um grupo social. Sobre isso, em um trecho contido no livro A História do Riso e do Escárnio (2003) De George Minois o pesquisador Howard Bloch diz que (...) o riso está a cavalo sobre uma dupla verdade. “Serve ao mesmo tempo para afirmar e para subverter”. (BLOCH apud MINOIS, 2003, pág. 16)
Sendo assim, pode-se entender que o humor tem duas vertentes: subverter a ordem (quando se conta uma piada em um lugar que não se pode, fazendo aumentar a graça), ou o humor afirmativo (usado, por exemplo, na ascensão da Alemanha nazista) quando, por meio de imagens, ridicularizaram os judeus, fazendo desse humor uma forma de impor uma ideia de inferioridade.
Esse tipo de humor é o perigoso. Diversas vezes, ele tem uma carga preconceituosa, camuflada em uma simples piada, e assim se perpetua de forma sistêmica em nossa sociedade. E é com esse que temos que ter cuidado, pois fere culturas, crenças e inferioriza pessoas por sua condição financeira e sua sexualidade.
A sociologia aborda esse tipo de atitude como “Instrumentos de dominação”, os quais seriam argumentos feitos para legitimar as desigualdades, instaurando uma “Naturalização do social”, ou seja, retiram o lado histórico da questão e põem esses preconceitos como algo usual.
Os europeus invadiram as terras africanas e subjugaram várias nações, dizendo que levariam “cultura” e “salvação”, no século XIX. Distorcendo conceitos como o darwinismo para afirmar uma superioridade europeia e estabelecendo o eurocentrismo, criando a noção de raça. As novas identidades históricas produzidas sobre a ideia de raça foram associadas à natureza dos papeis e lugares na nova estrutura global de controle do trabalho. Assim, ambos os elementos, raça e divisão do trabalho, foram apenas o princípio para estabelecer o que temos hoje, um mundo racista que desconhece o que representou o continente africano. Em outras palavras, raça e identidade racial foram estabelecidas como instrumentos de classificação social básica da população.
Nesse continente houve desde a cultura vinda do antigo Egito, como durante o período da Idade Média (séculos V ao XV), quando poderosos Estados se desenvolveram na África Ocidental - e por sua enorme riqueza, tornaram-se o principal eixo de comércio entre o mar Mediterrâneo e o interior da África. Além disso, é importante destacar as universidades no período medieval como a universidade da cidade de Timbuktu (Mali). Sua universidade era um dos maiores centros de cultura muçulmana da época, e produziu várias traduções de textos gregos que ainda circulavam nos séculos XIV e XV.
De lá até os dias atuais, a África “perdeu” seu valor. Seus descendentes, aqui em nossas terras, são discriminados de todas as formas, entre elas as piadas que são encontradas no cotidiano,  passando-se por mera brincadeira.
Não sejamos reprodutores dessas desigualdades, até porque não existe cultura melhor que a outra.
Mesmo que agora você ouça alguma piada sobre etnias, sexualidade, religião e outras diferenças, saiba que todas tem o seu valor, e que disseminar essas piadas podem ofender e ajudar a naturalizar uma condição que ninguém quer estar, a posição de tema da piada.

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