COLEÇÃO DE UNIFORMES


Língua padrão x Língua popular
quinta-feira, 10 de julho de 2014

Editorial Nº. 3 Ano: 2014

A língua é um código de que se serve o ser humano para elaborar mensagens, para se comunicar. Existem basicamente duas modalidades de língua: a padrão, que compreende a língua literária e tem por base a norma padrão  e é a língua utilizada pelos veículos de comunicação de massa (emissoras de rádio e televisão, jornais, revistas, painéis, anúncios, etc.), cuja função é a de serem aliados da escola, prestando serviço à sociedade, colaborando na educação e a língua popular ou cotidiana, que usa no dia a dia uma linguagem mais informal sem preocupação com a norma padrão.

Por norma padrão entende-se a forma linguística que todo povo civilizado possui; é a que assegura a unidade da língua nacional. É em nome dessa unidade, tão importante do ponto de vista político-cultural, que essa norma é ensinada nas escolas e difundida nas gramáticas.

A língua popular, por sua vez é mais espontânea e criativa, mais dinâmica e expressiva.

Por isso é importante conhecer não apenas uma modalidade de língua, principalmente a padrão, mas também a popular.

A partir desta concepção de língua padrão e língua popular (também chamada de coloquial) é possível discutir sobre o conceito de erro em língua.

Em se tratando de língua, com o objetivo de estabelecer a comunicação, ninguém comete erro, exceto nos casos de ortografia. O que normalmente se comete são transgressões da norma padrão. Por exemplo, num momento de discurso se alguém diz: “Ninguém deixou ele falar”, não comete um erro e sim uma transgressão da norma padrão, pois para não transgredir a esta norma poderia falar: “ Ninguém o deixou falar”.

Importante é destacar que deve ser considerado o momento do discurso, que pode ser íntimo, neutro ou solene. O momento íntimo é o das liberdades da fala. Em casa, na conversa entre amigos, parentes, namorados, etc, usa-se normalmente a informalidade com construções tipo:

Eu não vi ela hoje.

Deixa eu ver isso.

Eu te amo, sim, mas não abuse!

Não assisti o filme nem vou assisti-lo.

Nesse momento, a informalidade prevalece sobre a norma padrão, deixando mais livres os interlocutores.

No momento neutro usa-se a língua padrão, tendo como base as normas estabelecidas na gramática padrão. Assim, as construções citadas acima se alteram e ficam da seguinte forma:

Eu não a vi hoje.

Deixe-me ver isso!

Eu te amo, sim, mas não abuses!

Não assisti ao filme nem vou assistir a ele.

O momento neutro é considerado aquele em que são utilizados os veículos de comunicação de massa (rádio, televisão, jornal, revista, etc.). Por isso o motivo de não se admitirem deslizes ou transgressões da norma padrão na escrita ou até mesmo na boca de profissionais que trabalham com comunicação de massa como os jornalistas, quando no exercício da função, que deve refletir serviço à causa do ensino.

É importante lembrar que a língua é um costume. Por isso qualquer transgressão, ou chamado erro, deixa de sê-lo no exato instante em que a maioria absoluta o comete, passando, assim, a constituir fato lingüístico, registro de linguagem definitivamente consagrado pelo uso, ainda que não tenha amparo gramatical. Um exemplo bem característico dessas transgressões ou “erros” são as formas impeço, despeço e desimpeço, dos verbos impedir, despedir e desimpedir que se tornaram fatos linguísticos, pois só ocorrem hoje porque muitas pessoas viram esses verbos como derivados de pedir, que tem início, na sua conjugação, com peço. Isso foi suficiente para tornar arcaico, ultrapassado, as formas então legítimas impido, despido e desimpido, que hoje nenhuma pessoa bem escolarizada tem coragem de usar.

Em face do que foi exposto acima, é possível eliminar do vocabulário escolar palavras como corrigir e correto, quando nos referimos a frases. A expressão "Corrija estas frases", por exemplo, deve dar lugar a esta outra "Converta estas frases da língua popular para a língua padrão". Assim uma frase correta não é aquela que se contrapõe a uma frase "errada"; e sim uma frase elaborada conforme as normas gramaticais adequadas.

A(o) professor(a) cabe ensinar as duas modalidades da língua, a falada e a escrita, mostrando as características e as vantagens de uma e de outra, sem deixar transparecer nenhum caráter de superioridade ou inferioridade, que em verdade não existe. Isso não significa que se deve admitir ou aceitar tudo na língua falada. A língua escrita é, foi e certamente sempre será mais bem-elaborada que a língua falada, porque é a modalidade que mantém a unidade linguística de um povo.

Cabe ressaltar as variações lingüísticas que podem ser compreendidas a partir de alguns fenômenos, tais como: grupos sociais com acessos à educação formal tendem a usar a língua falada de uma forma mais “correta”; pessoas que se encontram em um mesmo grupo social se expressam com falas diferentes conforme as diferentes situações, sendo estas formais ou informais; grupos de profissionais específicos usam linguagens (ou linguajar) específicas. Além destes fenômenos há ainda as variações regionais ou dialetos, e os sotaques, que são marcas determinantes em várias regiões do país e que muitas vezes englobam não só o modo de falar como também um mesmo objeto ou produto que leva nomes diferentes dependendo da região onde é usado como é o caso da palavra mandioca, que recebe outros nomes como aipim, macaxeira, dependendo da região do país em que é usada.

Diante do que foi exposto chega-se à conclusão de que não existe o certo e o errado na Língua Portuguesa e sim o adequado ou o inadequado conforme o uso ou não da modalidade de língua que se vai utilizar.




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